Cães de raça como SHIH TZU são alvo de ladrões no Estado do Rio

Em Botafogo, a Melissa soube de tantos casos que agora ela só sai com o Zig tomando vários cuidados.

G1 mostrou o roubo a um animal da Raça shih tzu, em Copacabana, também na Zona Sul.Em maio, um caso semelhante foi noticiado: um cão tetraplégico foi furtado a poucos metros de uma delegacia.
"Eu tenho evitado sair à noite, quando está mais escuro. Eu só saio aqui perto, pelo prédio mesmo. Já aconteceu, me alertaram: 'Olha, toma cuidado porque já levaram o cachorro de uma senhora'.

Agora não pode nem mais sair com o cachorro, porque corre o risco de voltar sem ele", lamenta a jornalista Melissa Colacino.

— Nunca imaginei que algo assim iria acontecer. Deixava todos os portões fechados, com medo dela fugir, mas não cogitava a possibilidade de ela ser roubada.
Dois dias depois, a labradora Cacau foi roubada enquanto a dona, a médica Paula Vasconcelos, fazia compras em um supermercado, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Após a publicação do furto ter sido compartilhada 5 mil vezes nas redes sociais, 20h depois o animal foi localizado por uma amiga da família. A cadela estava na casa do turista russo Nikita Alentyev, no mesmo bairro. Paula comemorou o reencontro com o animal de estimação nas redes sociais:

— Nossa princesinha voltou! Fiquei exausta depois de tudo que aconteceu — escreveu a médica, que aproveitou para agradecer aos que ajudaram no compartilhamento da informação.
Isa busca sua cachorra Keity, que teria sido levada por um ladrão, em Niterói - Facebook/Reprodução
De tempos em tempos, casos como esses voltam ao noticiário do Rio de Janeiro. Cães são roubados das mais variadas formas, seja dentro de casa ou nas ruas. De maneira geral, os animais de raça são o principal alvo de ladrões. Após serem furtados, são vendidos ou usados clandestinamente para reprodução, gerando ainda mais lucro com os filhotes.

Segundo a subsecretária municipal de Bem Estar Animal, Suzane Rizzo, o roubo de bichos de estimação costuma ser uma ação periódica no Rio, o que serve de alerta constante para os donos. A secretária reforça a importância do registro da ocorrência nas delegacias, para que os roubos possam ser investigados.

— Em alguns momentos vivemos uma certa onda desses roubos. A polícia age, as pessoas se conscientizam, e depois de um tempo, o mesmo acontece. Muitos donos são roubados e não comunicam à polícia, o que pode dificultar, por exemplo, o desmonte de uma quadrilha ou a prisão de alguém que comete esse crime várias vezes — defende Rizzo.

SUPERVISÃO DO DONO

O caso da labradora Cacau foi registrado na 14ª DP (Leblon). O acusado foi liberado depois do depoimento e vai responder por furto de menor potencial ofensivo. Segundo a delegada titular Monique Vidal, casos como esse são esporádicos na região, mas Vidal faz um apelo para que os donos evitem ao máximo deixar os animais presos fora de estabelecimentos comerciais.

— Existem lojas que autorizam a entrada de cachorros, mas muitos outros não. O dono precisa sair de casa já se planejando para isso. Mesmo que seja uma passagem rápida em algum lugar, deixar o animal sozinho infelizmente o expõem à vulnerabilidade.

Essa é uma recomendação seguida à risca por Lucas Garreto e Teca Marinho, parceiros na Passapet, uma rede de passeadores e adestramento de cachorros que atende ao Rio e Niterói. Além de evitar deixar os animais sozinhos, os profissionais são orientados a alertar donos que tenha essa atitude.

—Nas ruas pode-se ver, por exemplo, dogwalkers que deixam cães presos em frente a um prédio, enquanto sobem para buscar mais um. Também é ideal que uma pessoa não passeie com muitos cães de uma só vez e nunca os deixe sem sua supervisão. Além disso, o que um bom DogWalker pode fazer é alertar e dar recomendações aos donos dos cães para evitar esse tipo de incidente.

MERCADO CLANDESTINO

O destino dos pets roubados muitas vezes são feiras clandestinas espalhadas pelo estado. No início de outubro, 80 cães de raça foram resgatados em uma feira ilegal em Duque de Caxias. Segundo Hanriette Soares, coordenadora da ONG Paraíso dos Focinhos, que participou do resgate, é cada vez mais comum ver os animais de estimação sendo vendidos nas ruas, sem qualquer cuidado, o que já é crime. A falta de documentação dos bichinhos é um agravante – afirma Hanriete.

Ela avalia que cães de pequeno porte são os mais procurados pelos assaltantes, também porque são a preferência de clientes em lojas e canis. Yorkshire, Lulu da Pomerânia, Maltês, Pug e Shih Tzu são alguns deles. Em média, o preço dos filhotes é R$2 mil:

- Na maioria das vezes os cães são vendidos de qualquer maneira e por um preço barato, porque os criminosos querem se livrar rapidamente da chance de serem pegos em flagrante. O mercado continua porque há pessoas que compram. O ideal é sempre que as pessoas adotem, mas se optam pela compra, ao menos precisam buscar canis comprometidos, com pedigree, vacinação e demais documentação completa.

A internet também serve de ferramenta para a venda desses animais. Em sites de compras online ou até mesmo grupos de redes sociais, é fácil encontrar anúncios dos cães das mais variadas raças. Segundo Suzanne Rizzo, existe o plano de tentar proibir ou ao menos fiscalizar mais efetivamente esses sites, mas ainda é necessária uma legislação específica para isso.

— Justamente para correr menos riscos de ser preso ou denunciado, o criminoso vende o animal pela internet. Ainda não temos uma lei que nos ampare nessa fiscalização ou até na proibição desse tipo de anúncio — afirma Rizzo.

Fonte: o globo