Sintomas, tratamentos para a prevenção da cinomose

De acordo com o veterinário Marcelo Gama, a cinomose é uma doença viral multissistêmica, altamente contagiosa e severa dos cães e de outros carnívoros, sendo observada mundialmente. É também uma das doenças caninas com o maior índice de mortalidade, alertam veterinários

Doença é um dos principais temores dos tutores de cães
Doença é um dos principais temores dos tutores de cães (Arquivo AC)

Com apenas 20 dias, a cadelinha Filomena, da raça Shitzu, chegou ao lar da família Magalhães. Como todo animal de estimação tinha tratamento de princesa: dormia até na cama dos pais da desenvolvedora web Rhullyanna Magalhães, 21. Dois anos depois, em uma visita de rotina ao veterinário, ela contraiu, por meio do ar, uma das doenças mais temidas pelos tutores de cães: a cinomose. Em apenas quatro dias, a doença neuro-degenerativa avançou e a família optou pela eutanásia para acabar com o sofrimento do animal. O método é popularmente conhecido como sacrifício.

No mesmo dia da consulta, de acordo com Rhullyanna, ‘Filó’ (como era carinhosamente chamada pelos donos) apresentou os sintomas. “Ela estava perfeita antes, e veio apresentar os sintomas uma hora e meia depois da visita”, assegurou. Ainda conforme a tutora, os sintomas apresentados por Filó se assemelhavam às convulsões de epilepsia. “O veterinário logo atentou e a medicou com remédio para epilepsia, mas não funcionou”, relembrou a desenvolvedora.

Quatro dias depois, a família levou Filó para obterem uma segunda opinião a respeito do caso, porém, o exame de sangue diagnosticou a cinomose, segundo Rhullyanna. “Como a doença já estava avançada, não tivemos outra escolha a não ser sacrificar. Foi muito rápido. Ela já não comia e nem fazia as necessidades. Os olhos dela ficavam vidrados, as patinhas enrolaram. Ela gemia muito e parecia não nos ver”, pontuou.

Com a decisão pela eutanásia, a desenvolvedora relatou os procedimentos tomados com Filó. “Deram um sonífero a ela, depois a injeção. É uma morte sem dor, mas ficamos todos muito abalados. A acompanhei no momento da injeção, ela ficou olhando dentro dos meus olhos o tempo todo. Foi muito doloroso”, lamenta Magalhães. “O veterinário disse que não tem cura, disse que apenas há como controlar ou regredir o avanço da doença, já que é degenerativa”, complementou.

Prevenção como principal aliada dos tutores de animais

A dor vivenciada por Rhullyanna acomete muitos tutores de cães infectados pelo vírus da cinomose. De acordo com o veterinário Marcelo Gama, a cinomose é uma doença viral multissistêmica, altamente contagiosa e severa dos cães e de outros carnívoros, sendo observada mundialmente. “É mais prevalente em cães e causa maior morbidade e mortalidade que qualquer outro vírus que os infecte. Somente a raiva apresenta porcentagem de fatalidade em cães mais elevada que a cinomose. Estando intimamente aparentado, tanto antigenicamente quanto biofisicamente, aos vírus do sarampo humano e da peste bovina”, descreveu.

Marcelo ressaltou ainda que a infecção pelo vírus da cinomose ocorre através da exposição ao ar, e o vírus da doença é um morbilivírus da família paramyxoviridae. “A transmissão se dá pelo animal hospedeiro ou portador. O vírus é eliminado pelos animais infectados em todas as secreções e excreções do corpo, mas é instável no ambiente. Sobrevive poucas horas e não mais que alguns dias fora do hospedeiro. Ele é destruído pela maioria dos desinfetantes”, destacou o médico.

Sintomas da cinomose

Quase todos os sinais clínicos da cinomose se dão devido às infecções bacterianas secundárias e a taxa de mortalidade pode variar de 0 a 100%, também dependendo muito da resistência e idade do animal, alertou o profissional. “O vírus da cinomose pode afetar qualquer região do Sistema Nervoso Central e os sinais neurológicos podem ocorrer durante, após ou na ausência de sinais multissistêmicos”, assegurou.

“Os sintomas principais variam entre mal-estar, anorexia, depressão, febre de 39,5 a 41ºc, rinite (descarga nasocular serosa e mucopurulenta), conjuntivite (descarga nasocular serosa e mucopurulenta), pneumonia, tosse, vômito, diarréia, ceratoconjuntivite (descarga ocular serosa e mucopurulenta), cegueira, ataques convulsivos, alteração comportamentais, incoordenação dos movimentos e tremores musculares”, reiterou Gama.

Conforme Gama, em relação aos estágios da doença, geralmente observam-se sinais sistêmicos e dependendo do animal, os sinais nervosos progressivos também, mas não necessariamente nesta ordem. “O vírus tem particular afinidade por tecidos linfóide e epitelial (tratos respiratório, gastrintestinal, urinário e pele) e pelo sistema nervoso central. Dependendo do proprietário do cão, faz-se o tratamento paliativo. A eutanásia pode ser sugerida pelo profissional veterinário, quando a doença apresenta-se na fase nervosa”, alegou. Ainda segundo ele, a cinomose não oferece risco aos humanos.

Doença evolui rapidamente

A doença não demora a se manifestar: de acordo com o veterinário, os sintomas surgem em até 15 dias após o seu contágio. A eutanásia (ou sacrifício) se faz necessária por conta da evolução da doença, relatou Gama. “O termo correto para essa atitude é eutanásia, e isto acaba ocorrendo por causa do curso clínico da doença instalada, uma vez que é uma doença neuro-degenerativa”, disse.

Cura: sim ou não?


Muito se discute no ramo das ciências veterinárias acerca das possibilidades de cura ou não da doença. Marcelo aborda que o que existe é um tratamento paliativo, muito dependente do estágio em que a doença se encontra quando o animal é levado ao médico veterinário.

“Por ser uma doença que no início apresenta-se com sinais inespecíficos, geralmente o proprietário somente se dá conta quando o animal está prostrado quase sempre na fase nervosa. E quando o animal resiste a um primeiro embate, o mesmo fica sendo portador do agente etiológico, o qual aguarda um novo momento de imunodepressão para se apresentar, produzindo debilidade no organismo”, destacou.

Apesar da gravidade da doença, o médico destaca a prevenção como a principal aliada dos tutores de animais. Entre as medidas preventivas, conforme ele, está a vacinação dos filhotes com seis a oito semanas de idade. “No caso de cães com mais de 16 semanas vacine duas vezes, com um intervalo de 2 a 4 semanas”. E completa: “A imunidade vinda da vacina não é para a vida toda, então é recomendado reforços anualmente”.



                                                                Fonte:http://acritica.uol.com.br