Shih tzus colocados para Adoção são tão Concorridos quanto Vestibular de Medicina - Shih Tzu Brasil Pular para o conteúdo principal

Shih tzus colocados para Adoção são tão Concorridos quanto Vestibular de Medicina

 Tão concorrida quanto o último vestibular do segundo semestre do curso de Medicina da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) – foram 342,89 candidatos por vaga –, será a adoção dos 13 filhotes de Shih-tzu que foram resgatados dentro de caixas, no porta-malas de um carro em Itaberaba, região da Chapada Diamantina. 

Em 24h, foram 3.450 inscritos - ou seja, cerca de 265 candidatos para cada filhotinho. Por conta da alta demanda, as inscrições foram encerradas. 

O número altíssimo surpreendeu até mesmo os envolvidos no resgate dos shih tzu. "Foi uma baita surpresa. 

Não esperávamos tanta gente assim e, por isso, encerramos hoje o recebimento de formulários. Foram mais de 3 mil inscritos em 24h e não vamos conseguir falar com todo mundo”, declarou a protetora de animais Patruska Barreiro, responsável pelo instituto que ficará encarregado por definir quem serão os adotantes.

Dos 63 animais encontrados no final de agosto do ano passado, que seriam vendidos em petshops de Salvador, Recife e Petrolina, apenas 16 sobreviveram a mais de 30 dias de internação e muitos remédios. Agora, a Justiça liberou que eles possam encontrar um lar. 

Patruska disse que uma comissão foi formada por veterinários e psicólogos voluntários fará a seleção dos candidatos, que serão analisados diversos requisitos, inclusive a questão financeira, pois os cães da raça Shih-tzu demando um custo.

“Shih-tzu é uma raça que pode ter um custo de até R$ 4 mil. Todas as pessoas sabem que não é só colocar água a ração. 

Eles têm tendência a desenvolver problemas oftalmológicos e de pele. É da raça. Uma cirurgia de lesão de córnea, por exemplo, pode ser superior a R$ 3 mil. 

Os veterinários dizem que 90% dos problemas oftalmológicos em cães são em animais dessa raça. Por isso que esta questão financeira é bem checada, porque não queremos que eles sofram novamente”, disse Patruska. 

Para apertar ainda mais o funil da concorrência, a comissão vai avaliar a quantidade pessoas na casa, se o candidato tem condições de levar o animal às pressas para uma clínica veterinária em casos de urgência, dentre outros requisitos. 

Outro ponto que será investigado são as redes sociais, que poderão dizer muito sobre o perfil dos candidatos.

“Alguns tem a conta do Instragram restrita e a gente pede para desbloquear. O candidato ideal é aquele que a gente percebe que gosta de animais.

Além disso, os candidatos a tutores passam também por uma entrevista. Quem for selecionado, terá que arcar com custos de castração, de R$ 550, e três doses da vacina antiviral (V10) do shih tzu, no valor de R$ 210. 

Além disso, deverá assinar um termo de responsabilidade, onde se comprometerá a fornecer informações sobre os animais quando solicitado. O processo é feito desta maneira para evitar abandono e uso irresponsável dos animais para procriação e comercialização irregular dos cachorros.

Como em toda seleção, existem aqueles que são eliminados logo de cara. “Algumas pessoas nos escreveram dizendo que já criaram expectativas, que as famílias já aguardam os filhotes. Já outras preencheram a inscrição dizendo não concordar com o termo de adoção, então claro que já foram eliminados. 

Outras pessoas que se inscreveram, enviaram mensagens num tom agressivo e a gente entende que a pessoa está passando por algum problema. Como vai receber o animal com carinho?”, pontuou Patruska. 

Aprovados

Entre os vários inscritos, três foram aprovados ontem mesmo. A estudante de nutrição, Beatriz Souza de Pina Bittencourt, 22 anos, foi uma das felizardas. 

Ela agora é tutora - ou mãe, como prefere dizer - de Duda, uma fêmea de cinco meses. “Duda é muito tranquila, chegou explorando tudo, pegando os meus sapatos (risos). Já comprei uns brinquedos para ela, já estar super adaptada”, disse ela em tom de felicidade.  

Beatriz passou na seleção e adotou Duda, que trouxe alegria de volta à família 

Beatriz vinha acompanhando o drama dos Shih tzu desde quando a situação deles foi denunciada pelo Instituto Patruska Barreiro. 

“Eu sempre ajudei o instituto e quando a situação surgiu, não fiz diferente. Ajudei a divulgar os maus-tratos e fiz doações para ajudar nos custos dos animais com veterinários, remédios e exames”, contou ela. 

Antes de Duda, Beatriz tinha Nina, uma vira-lata que viveu com ela e sua mãe por 14 anos. “Duda é minha esperança, meu amor. Duda veio restaurar o amor da gente”, declarou.     

Apesar de já ter uma ligação com o instituto, Beatriz não foi poupada da seletiva. “Eu fiz a minha inscrição. 

Embora eu já ajude a instituição, Patruska fez uma entrevista minuciosa comigo. Eles precisam avaliar se a gente tem condições financeiras e psicológicas para cuidar dos animais, porque são cães que passaram por muitos traumas”, disse a universitária. 

Ela disse o que espera dos outros aprovados na seletiva de adoção.  “Desejo que eles deem muito carinho. Independentemente da raça, eles merecem muito amor e carinho. Foi um resgate doloroso”, lembrou.

Via: correio24horas

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