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Conheça a Terra dos Perdidos: O santuário para cães abandonados

Você ja se imaginou vivendo no Território dos Zaguates? Pois este deve ser o sonho de muitos cães abandonados no mundo todo (ou, ao menos, no continente americano). 

Esta é outra denominação da Terra dos Perdidos. Zaguate é uma palavra que deriva do asteca zahuatl, com significado de “mal cuidado”, “doente”. Atualmente, o termo é sinônimo da nossa expressão “vira-latas”.

Todos sabem que cães são extremamente leais e muito dedicados aos seus criadores. No entanto, a Terra dos Perdidos, uma organização particular sem fins lucrativos, é um abrigo criado na Costa Rica – na verdade, um paraíso canino. 

Estima-se que haja, neste país centro-americano, um milhão de cachorros perambulando pelas ruas.

A ideia do santuário

Sergio Chinchilla é um publicitário que trabalha na Garnier BBDO, em San José, capital costarriquenha. A agência é conhecida pelas ações de promoção social e desenvolvimento humano. 

Chinchilla teve a ideia de desenvolver uma campanha para que todos os cães fossem adotados por tutores responsáveis. No país, a maior parte dos zaguates é formada por cães sem raça definida (SRD).

Assim foi criada a Terra dos Perdidos, dedicada ao resgate, tratamento e posterior doação de cães (especialmente os SRD, 94% da população atual do santuário), mantida apenas por voluntários. 

Pouco tempo depois, no entanto, a ONG estava com um dilema: as instalações estavam operando com o dobro da sua capacidade. A maioria dos criadores prefere adotar cães de raça.

A campanha

Para resolver a situação, a equipe de planejamento e criação da Garnier BBDO decidiu promover uma campanha. O mote da comunicação se tornou um fator essencial, pois, além de informar, deveria chamar a atenção imediata da população. Não poderia ser apenas mais um material didático.

Manuel Travisany, diretor de Criação, definiu o conceito-chave: cães SRD são, na verdade, a união das qualidades de duas ou mais raças e, desta forma, eles pertencem a uma raça muito especial: são os cães únicos (“unique breeds”, ou raças exclusivas). 

O envolvimento do diretor foi tão grande que a agência decidiu liberá-lo para que ele pudesse cuidar apenas da divulgação do abrigo.

O conceito criado colocou em xeque a percepção muito comum de que os zaguates são menos valiosos do que os animais de raça. 

A agência decidiu promover os cães da Terra dos Perdidos (“Land of The Strays”, termo que também pode ser traduzido como “espalhados”, “dispersos”).

Foram criados anúncios para TV, internet e mídia impressa e a veiculação foi massiva. A agência chamou a atenção de leitores e dos responsáveis por instrumentos de comunicação de massa. 

Em 2013, a Terra dos Perdidos apresentou-se em um show especial na Feira Nacional de Animais de Estimação.

Características do abrigo

O projeto da Terra dos Perdidos também permite a visita de grupos interessados em interagir com os cães ou apenas observá-los. 

Parte do amplo terreno do abrigo foi mantida com a cobertura vegetal nativa (com características de floresta tropical), transformando-se também em área de preservação ambiental, preocupação bastante presente entre os costarriquenhos. 

As adoções estão se tornando cada vez mais comuns: antes da divulgação, a média mensal de animais que deixavam o abrigo era de apenas dez cães; com a campanha, este número saltou para 1.400.

Um dos principais motivos para este sucesso foi a superação de um temor comum entre os possíveis adotantes: o de que a introdução de um novo cachorro em casa seja motivo para brigas com crianças e outros animais de estimação.

As visitas e os vídeos (veiculados especialmente nas redes sociais) demonstram o inverso: os “cães únicos” são capazes de conviver em harmonia com centenas de indivíduos; por que teriam dificuldade de viver com apenas quatro ou cinco pessoas (de duas ou quatro patas)?

Temos que concordar que o local não é somente um paraíso para os cães, mas também para aqueles que os amam.

Via: Cães online